quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Novo botão "shuffle" da Netflix: tecnologia e comportamento

A Netflix está testando um novo recurso, um botão "shuffle play" que ativa a exibição de vídeos em sequência, sem intervenção da pessoa. Segundo as notícias, para os mercados e pessoas participantes do teste funciona mais ou menos como um canal de televisão: você clica e começa a exibição de diferentes vídeos, um depois do outro, ininterruptamente.

Por exemplo, pode primeiro passar um episódio de uma série, seguido de um documentário, seguido de um filme de Holywood, depois um especial de uma comédia stand up, depois mais um episódio de série, assim por diante.

Depois de um dia estafante de trabalho você se aconchega com um cobertor no sofá, liga a televisão e pode passar horas assistindo Netflix, sem ter que ficar analisando trailers ou sinopses para decidir o que assistir em seguida e sem ter nem que nem clicar em mais nada.

Uma experiência tão relaxante quanto assistir televisão comum, mas potencialmente melhor, porque com conteúdo escolhido especialmente para você por um algorítimo - um procedimento automatizado - com inteligência artificial. Esse algorítimo aprende ao longo do tempo e acaba conhecendo melhor seu gosto para vídeos do que sua mãe conhece seu gosto para sobremesas caseiras.

O diabo mora nos detalhes
Do ponto de vista tecnológico o novo recurso não é nenhum grande salto, dado que os algorítimos de aprendizado são comuns nas redes sociais e serviços de streaming, que já há muito tempo preparam  listas de sugestões de conteúdo baseadas no gosto prévio do freguês.

No entanto, ao oferecer a possibilidade de ir passando vídeos automaticamente, ao invés de a pessoa escolher em uma lista sugerida, a Netflix está aumentando a aposta na capacidade de seu algorítimo entender o que o espectador gostaria de ver em seguida.

Na nossa opinião, o possível sucesso do novo recurso da Netflix passa pela calibragem fina do algorítimo por seus programadores. Muito importante para sucesso de qualquer rede social ou mecanismo de streaming é a composição do mix de conteúdo individualizado para cada pessoa que ela oferece, dividido entre itens muito similares ao vistos anteriormente (o que é seguro mas pode ser entediante) e itens de conteúdo diferente  (o que é mais arriscado mas pode apresentar novidades prazerosas).

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domingo, 16 de agosto de 2020

3 dicas do que NÃO fazer em vídeo-conferências

Com a proliferação das vídeo-conferências tem crescido também as experiências desagradáveis nessa forma de comunicação. Para evitar algumas delas vamos sugerir dicas do que NÃO fazer, baseadas em situações reais que experimentamos em vídeo-conferências recentes, dentro da empresa e com clientes e fornecedores.

1) Comer
Eu sei que o home-office aboliu um pouco a distinção entre casa e trabalho, entre informalidade e formalidade, mas ultrapassa esse bom senso ver alguém mascando uma fatia de pizza durante a vídeo-reunião de discussão do orçamento da empresa. Com o rosto perto da câmera, na distância de selfie ou menor que as vídeo-reuniões acontecem, dá até para ver os carboidratos  começando a se transformar em maltose...

E a trilha sonora então? Você não imagina quanto um microfone pode ser sensível quando você não quer que seja. E tome nhac, nhec, nhec, nhec, glup. Nhac, nhec, nhec, nhec, glup. Ninguém merece. Nossa sugestão é você deixar os lanchinhos para os intervalos entre as múltiplas vídeo-conversas desses novos tempos.

2) Beber 
Se você não tinha reparado ainda eu vou ressaltar para você: durante uma vídeo-conferência ou vídeo-reunião o rosto fica muito mais perto da câmera do que ficaria do rosto das outras pessoas em uma reunião presencial. Então, mesmo coisas aceitáveis em uma reunião tradional, como beber água, ao serem filmadas muito de perto podem ser uma visão desagradável aos outros participantes.

Tá, você pode acreditar que o segredo para uma vida longa e uma cútis sedosa é tomar pelo menos 2 litros de água por dia. Além disso, para salvar as baleias você já investiu numa garrafa de água não descartável, de alumínio high tech. Ok. Mas ficar uma hora de reunião sem beber não vai matar você de desidratação e poupa o interlocutor dessa visão em close up. Nossa sugestão é você esperar a reunião acabar para voltar à sua saudável rotina de um golinho a cada 12 minutos.

3) Andar
Você acabou de ler um artigo sobre os perigos da trombose no home-office, todo aquele sangue parado, coagulando nas veias das pernas nas longas horas sentado na frente do computador. Se você se assustou e decidiu que vai deixar a vida sedentária, ok. Mas por favor, deixe para andar antes ou depois da reunião. Não durante. Se vídeo-reunião com alguém com o celular na mão já é ruim (porque nem o campeão mundial de tiro tem mão firme durante uma hora), com a pessoa andando pela casa é intolerável.

Ninguém quer ver o teto e as paredes da sua casa passando como fundo e um rosto chacoalhando na frente. Nossa sugestão é você apoiar o celular ou notebook numa superfície fixa e deixar lá, do  começo ao fim da conversa.

4) Não parar de falar / não dar espaço para outros falarem - dica bônus -
Numa conversa presencial as pessoas emitem e entendem pequenos sinais verbais e não verbais de quando é a hora de falar e quando é hora de parar e escutar o outro. Porém, em meio àquele monte de janelinhas com rostos de frente na tela do Zoom, muitos desses sinais que arbitram uma conversação normal podem passar batidos. Por isso é comum algumas pessoas falarem demais em vídeo-conferências, sem dar brecha para outros.

Claro que tem chatos que tentam monopolizar as conversas em qualquer situação, mas muitas das vezes que alguém fala demais em uma vídeo-conversa é só produto dessa fase de criação e aprendizado de uma nova etiqueta para o novo normal. Nossa sugestão é você dar o bom exemplo de se policiar se não está se estendendo demais e até ajudar a cortar (educadamente) os falastrões e chamar para a conversa os mais reservados.

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quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Vídeo empresarial: A câmera é mais amiga de algumas pessoas

É uma das injustiças da vida: algumas pessoas, sem fazer força,  ficam muito melhor que outras quando filmadas. Embora isso seja perceptível em qualquer tipo de vídeo é especialmente patente nos vídeos estilo "Youtuber": só uma pessoa falando para a câmera.

Já que  produzir vídeos empresariais nesse formato pode ser uma boa opção para seu marketing, vamos conversar neste post sobre como lidar com o fato que a câmera é mais amiga de algumas pessoas.

O vídeo talking-head
O sucesso dos Youtubers  ou influenciadores digitais - muitos tem milhões de seguidores e muitos mais tem centenas de milhares - mostra que ter alguém falando em primeiro plano para a câmera é um formato bem aceito pelo público.

Além disso, para registrar de perto só uma pessoa parada falando, o equipamento é muito simples. Uma câmera, três pontos de luz e um microfone de lapela resolvem a questão. A edição de um vídeo sem muitos efeitos especiais pode ser feita em qualquer notebook ou computador, usando softwares relativamente baratos. Noves fora, o custo geral do projeto é baixo.

Se o povo gosta e é barato de fazer, não tem porque você não refletir se daria para incluir no seu plano de marketing: gravar pessoas da empresa em vídeos nesse estilo. Claro, se você tem verba para filmagem de helicóptero, efeitos especiais da Industrial Light and Magic e o Ferreira Martins narrando em off as maravilhas do seu produto, tem mais é que usar. Mas mesmo se esse for seu caso, há espaço também para vídeos mais intimistas.

Star quality
Nesse tipo de vídeo que tem tão poucos elementos, a pessoa que aparece é fundamental. E quanto a isso, há mais de 100 anos, desde o início do cinema, os profissionais da área perceberam que algumas pessoas ficam naturalmente melhor em filme que outras.

E não é só beleza. Claro que beleza ajuda (em tudo na vida), mas o que funciona melhor é uma combinação de rosto que fica bem em 2D, com jeito de falar e se mexer com naturalidade apesar da filmagem, com tipo de voz que é melhor captada por microfone e reproduzida por alto-falante... e mais outras coisas, algumas difíceis de perceber isoladamente ou listar claramente, mas que em conjunto dão um resultado que a audiência gosta.

O mundo real
Eu não teria aqui a insensatez de propor que você espere carisma de Holywood do gerente de vendas da sua empresa, que vai anunciar em vídeo o lançamento de um novo produto. Eu sei que o Tom Hanks não trabalha aí.

O que queríamos frisar é que tem pessoas que ficam muito melhor que outras quando filmadas e que esse é um critério importante, talvez o mais importante, na escolha de quem vai aparecer nos vídeos da empresa. A pessoa certa pode alavancar e a errada pode minar seu esforço, porque elas vão ajudar a determinar quantas pessoas vão assistir - e por quanto tempo - os vídeos do seu marketing.

Nossa sugestão é você minimizar  a "lógica" de por exemplo o gerente técnico falar nos vídeos técnicos e a comercial nos de apresentação de produto. Tentar encontrar - dentro das pessoas disponíveis - aquela(s) que funciona(m) melhor em vídeo. Da estagiária à presidente da empresa,  tenha a mente aberta para as possibilidades.

Cliques e likes
Mas como saber quem funciona ou não? Como evitar vieses de amizade e gosto pessoal? Nossa sugestão é você sempre testar diferentes pessoas e monitorar o engajamento do público nos vídeos. Quantos foram assistidos, por quanto tempo, quantos likes, dislikes e comentários receberam e o teor desses comentários.

Se você quiser caprichar pode fazer testes A/B: gravar um mesmo conteúdo duas vezes, com pessoas diferentes falando em cada vez. Daí exibir as versões para amostras aleatórias diferentes de seu público-alvo. Se preferir, ou se só puder pegar um pouco mais leve, pode fazer um rodízio de pessoas falando nos diferentes vídeos, conforme os for produzindo e publicando.

Em qualquer caso, testar diferentes pessoas e monitorar a reação da audiência permite você deixar o próprio público naturalmente lhe mostrar quem vai trazer mais eficácia para o marketing da sua empresa.

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sexta-feira, 24 de julho de 2020

5 sugestões de marketing para o pequeno escritório brasileiro da multinacional de tecnologia

Muitas multinacionais abrem um pequeno escritório no Brasil, para tatear o mercado ou começar uma operação que pode crescer. Há desafios de todos os tipos para quem trabalha no pequeno escritório local de uma multinacional de tecnologia.

Baseado na nossa experiência, vamos dar algumas sugestões de comunicação de marketing que acreditamos poder ajudar as lutadoras equipes de operações menores. Algumas podem lhe parecer óbvias e você estar cansado de fazer, mas algumas podem ter sido deixadas para trás na correria, verba curta, equipe pequena e pressão para chegar no número até o final do trimestre fiscal... Confira:

1) Please, give to me a hot dog
Geralmente quem trabalha na multinacional fala e lê inglês, está cercado de outros funcionários que também o fazem, conversa e troca e-mail com os gringos. Fechado dentro dessa bolha é natural achar que é assim em todo lugar.

Permita-me lembrar o real: muitos executivos e empresários brasileiros não tem um bom inglês. Tá, todo mundo consegue se virar na Disney, mas um vídeo técnico pode ser pouco entendido, ou pior, ser cansativo para quem está entendendo mais ou menos. Vai ser parado no meio.

O original daquele PDF que mostra como seu produto chegou na melhor posição do quadrante mágico do Gartner já é chato para quem lê bem em inglês e está atualizado com o jargão. Para o cliente que não tem a obrigação de lê-lo é intragável.

Então, nossa sugestão é traduzir, legendar e dublar para português, TUDO.

2) LATAM? Você está falando da companhia aérea?
Na administração de muitas empresas americanas nosso continente se divide em duas grandes entidades lógicas:  America, que são aquelas pessoas que moram pra cima do Rio Grande e falam inglês e  LATAM - aquelas pessoas que moram para baixo do Rio Grande e falam espanhol.

Atuando nessa simplificação da realidade muitas empresas americanas já produzem duas versões do seu marketing: a americana e a latino-americana. E tome site LATAM, rede social LATAM, white-paper traduzido para a LATAM, anúncios com versão LATAM e por aí vai. Tudo em espanhol, é claro.

Nossa sugestão é você não usar essa produção aqui e brigar para ter verba para site brasileiro, redes sociais brasileiras, eventos, materiais e campanhas brasileiras. Você sabe disso mas não custa relembrar: espanhol  numa situação e assunto profissionais ou técnicos é difícil e cansativo para um brasileiro.

Além disso, o cliente pode se incomodar ao perceber que você está tentando cortar caminho ou economizar com ele, ao direcioná-lo para o site ou material "latino".

3) Você não encarou ler Sagarana inteiro mas passou no vestibular da USP?
Para a maioria dos escritórios brasileiros de multinacionais o problema não é a falta de material de marketing original. Grosso modo, os departamentos de marketing da matriz de multinacionais de tecnologia costumam sofrer mais de hiperatividade do que sonolência.

Mas essa densa enxurrada de conteúdo pode ser muito para o cliente médio. Então cabe ao marketing local digerir a complexidade, versar os acrônimos e neologismos, condensar o detalhe e resumir o todo.

Lembra-se do cursinho pré-vestibular, quando aquelas fichas-resumo de livros lhe salvaram da lista de leitura obrigatória da Fuvest? Nossa sugestão é você transportar essa boa ideia para o marketing. Claro, você sempre põe um link para o conteúdo completo, mas cria uma versão-resumo ou melhor ainda versões, em 2 ou 3 graus de profundidade e abrangência.

De quebra, você já criou para a equipe de vendas brasileira o elevator speach (o "papo de elevador") de 50 ou 100 palavras para eles usarem sobre aquele assunto.

4) Fome de vídeo
As estatísticas variam um pouco de um instituto de pesquisa para outro, mas estima-se que o consumo médio de vídeo na Internet por pessoa já tenha passado de uma hora por dia e caminhe para 84 minutos por dia, por pessoa, até 2022.

Você pode aproveitar esse apetite do público por conteúdo em vídeo e, além de legendar os vídeos vindos de fora, também produzir aqui no Brasil. Nossa sugestão é você gravar vídeos curtos de pessoas do escritório local falando para a câmera - estilo "Youtuber". É um formato testado e aprovado pelo público e com ótimo custo: o "ator" ou "atriz" já está pago e para gravar só uma pessoa parada falando o equipamento é simples.

Só tem que ter cuidado com a falta de carisma de algumas pessoas (tem gente que "não funciona" bem na frente da câmera) e com o roteiro, que precisa vender o peixe de forma leve e agradável.

Como benefícios extra, esses vídeos humanizam a empresa para os clientes e facilitam conversas posteriores em visitas pessoais ou contatos via Teams ou Zoom - o cliente que viu os vídeos sente que "já conhece" aquelas pessoas.

5) Vamos fazer um bem bolado
Alguns dos prezados leitores já podem ter percebido uma conexão entre os itens anteriores: se funciona traduzir tudo para português, fazer resumos do material e gravar vídeos curtos com executivos locais, é quase uma consequência natural a nossa próxima sugestão: usar os resumos como um dos tipos de conteúdo para os executivos locais falarem nos vídeos.

Então quando sair um novo produto, estratégia ou visão, ou ainda qualquer pacote de informação um pouco maior ou mais complexo, você pode publicar aqui o original traduzido para o português, alguns resumos escritos (com diferentes abordagens ou profundidades) e vídeos de pessoas do escritório local explicando, usando os resumos como roteiro.

Só precisa se lembrar, além dos cuidados que já citamos no item sobre vídeos, que a linguagem falada natural é diferente da escrita, então para o resumo em vídeo não ficar com um jeito muito artificial de "Jornal Nacional" é preciso fazer alguma adaptação entre o resumo publicado e o roteiro de fala.

6O som do silêncio  sugestão bônus -
Algumas redes sociais - entre elas Linkedin e Instagram - na configuração normal começam todos os vídeos no modo "mudo", sem som. Além disso, às vezes as pessoas estão em situações onde elas não podem ligar o som, para não incomodar outras pessoas em volta. Por isso, há estudos que mostram que pelo menos 50% dos vídeos assistidos em redes sociais são sem o som.

Para enfrentar mais essa dificuldade de levar sua mensagem para o mercado, nossa sugestão é você legendar todos os vídeos, incluindo aí os dublados e aqueles que você vai produzir aqui, falados originalmente em português. Já que você vai ter que desenvolver fornecedores para legendagem dos vídeos em inglês, fazer um pacote para legendar também os em português pode não ficar muito caro.

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quarta-feira, 8 de julho de 2020

3 tipos de conteúdo que sua empresa tem que criar

A publicação regular de conteúdo no seu site, blog e redes sociais pode atrair, convencer e fidelizar clientes, mas o que publicar? Há tipos principais de conteúdo onde focar a criação?

O funil de vendas como guia da criação de conteúdo
Independentemente do produto ou serviço que você venda, os potenciais compradores podem ser divididos logicamente em 3 grandes grupos: 1) os que não estão considerando comprar de você; 2) os que sim estão considerando você como um dos competidores para aquele pedido; e 3) os que já acham você o melhor negócio (ou pelo menos um dos melhores) mas precisam de um último empurrãozinho para fechar.

Tecnicamente são chamados por nós marqueteiros de clientes no topo do funil de vendas, meio do funil e fundo do funil.

Essa maneira de visualizar o mercado fornece, na nossa opinião, um modelo para orientar seu plano de comunicação. Você tem que dividir seu conteúdo em pelo menos 3 grupos, para cada um desses públicos.

Ao longo desse post vamos tentar resistir à tentação de chamar esses grupos de tofu, mefu e fufu... marketing é coisa séria 😃.

Conteúdo para o topo do funil
No topo estão aqueles clientes que ou não sabem que você existe ou não sabem que você vende o que eles querem. Nesse grupo também ficam os que até sabem, mas por um motivo ou outro não estão considerando sua empresa como um possível fornecedor.

Para esse público você precisa lançar "anzóis" - conteúdos que os atraiam para entrar no seu funil - mas ainda sem tentar vender nada explicitamente, porque se for muito cedo para isso pode incomodar.

É uma etapa de estabelecer um relacionamento. Mostrar que você existe, que vende o que o cliente precisa e que é bom nisso. Os melhores conteúdos são conteúdos que presenteiem seu possível cliente, você ajuda sem pedir nada em troca: tutoriais, aulas, listas de dicas e truques sobre o assunto e o mercado onde você atua. Também vale conteúdo no limiar do puro entretenimento, só para atrair a atenção e agradar.

Parte deste conteúdo pode ser de acesso totalmente aberto e parte pode ser fechada, pedir o contato da pessoa: "deixe seu e-mail para fazer o download de nosso e-book", ou "entre com seu usuário no Google ou no Facebook", para facilitar futuros contatos.

Conteúdo para o meio do funil
Depois que o potencial cliente sabe que você existe e vende o que ele está querendo comprar, chega a hora de mostrar para ele que seu produto ou serviço e seu papel como fornecedor são os melhores.

Nessa etapa os melhores conteúdos são descritivos em detalhe de produtos ou serviços, características técnicas e vídeos de como utilizar. Também é a hora de mostrar casos de sucesso e depoimentos de clientes, bem como comparativos com concorrentes, feitos por você, pela mídia ou por terceiros com credibilidade.

Conteúdo para o fundo do funil
É a hora do conteúdo que ajuda a venda se concretizar, mudar de interesse para pedido. Esses conteúdos precisam atingir o cliente que já sabe que seu produto e você como fornecedor são bons, mas está procrastinando, adiando, exitando. Geralmente, quanto maior for o valor de uma compra para um cliente, ou mais impactante na sua vida, mais natural é o cliente demorar para se decidir.

Ajuda o cliente conteúdo sobre financiamento e condições de pagamento, sobre possibilidade de desistência, devolução ou rompimento de contrato, sobre facilidade de entrega/transporte e instalação. Também conteúdo sobre durabilidade, garantia, assistência técnica e valor de revenda (se for o caso) são exemplos que contribuem para diminuir inseguranças e hesitações na hora de fechar.

Até aqui, todos os conteúdos que citamos - para o topo, meio ou fundo - foram genéricos, podem ser criados e disponibilizados para todos os clientes naquela fase da venda. Porém no caso particular dos clientes no fundo do funil, conteúdos personalizados podem ajudar.

Dependendo do tamanho do negócio, nessa etapa vale a pena criar conteúdo específico para aquela negociação, como um guia de instalação específico para aquele cliente, ou um caso de sucesso no ramo de atividade dele. Nessa hora um bom relacionamento com vendas pode ajudar e direcionar a produção de conteúdo. O vendedor pode saber o que aquele determinado cliente precisa para se decidir e marketing pode produzir esse conteúdo específico.

Porque ter 3 vezes mais trabalho
Essa preocupação com criar regularmente e balanceadamente conteúdo de marketing, para os 3 principais grupos no funil de vendas, visa evitar que a produção de conteúdo se concentre demais em um ou outro, interrompendo (ou nem começando)  a chamada "jornada de compra": o tortuoso caminho entre o freguês nem saber que você existe até o pedidão.

Se você concentra muito conteúdo no topo - por exemplo entretenimento e educação nas redes sociais - você atrai um monte de gente nova. Porém, gente que sem outros incentivos pode desistir, desanimar ou ir prestar atenção em outra coisa no meio do caminho.

Se você concentra muito conteúdo no meio do funil - por exemplo só posta as maravilhas do seu produto ou serviço - sem se preocupar igualmente com trazer um fluxo permanente de gente nova, corre o risco de só pregar para os já convertidos. Ou pior, para a parede do templo.

E por último, mas não menos importante, a humanidade caminha com preguiça e sem vontade. Se você não empurrar - se não tiver conteúdo e estratégias para o fundo do funil - a venda não anda. Ou anda na direção do seu concorrente que está empurrando mais firme que você.

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quarta-feira, 17 de junho de 2020

Novo normal vai esvaziar (um pouco) as metrópoles?

Já que as empresas perceberam que o home-office veio para ficar, o próximo passo natural seria distribuir geograficamente a empresa: o gerente financeiro morar e trabalhar em Valinhos, a gerente de recursos humanos em Saquarema, um programador de software em Piracicaba o outro em Franca, enquanto a sede formal da empresa fica na Avenida Paulista.

Se as pessoas trabalham em home-office e conversam e se reúnem por teleconferência, sua localização não importa. As vantagens são gritantes: a empresa pode procurar talentos onde houver e o talento pode procurar trabalho onde houver.

Passado o desconforto com a quebra da tradição, com o "mas não é assim que as empresas sempre trabalharam", o trabalho distribuído pode se tornar uma revolução de eficiência e lucratividade tão grande quanto foi a do e-commerce nos últimos anos.

Porque você se amontoa com mais dez milhões de pessoas
Se perguntado diretamente, todo morador de grande metrópole responde que mora assim por causa dos bares e restaurantes, dos teatros, cinemas, shoppings, parques e outras opções de lazer, além do acesso a melhores hospitais e escolas. É comum a pessoa não citar, ou citar por último a razão mais importante: ganhar dinheiro.

Acontece que nas metrópoles há mais mercado para a maioria dos profissionais e empresas. Em busca dessas oportunidades de renda melhor as pessoas engolem o trânsito congestionado, o metrô e ônibus lotado, a poluição, os custos de vida e de moradia mais altos, a criminalidade e outros sapos da cidade grande.

Claro que atrás do dinheiro as vantagens da cidade grande se retroalimentam: tem mais escolas boas porque tem mais famílias com renda alta, tem mais bons hospitais porque tem mais gente com plano de saúde, tem mais shoppings porque tem mais gente com renda excedente para consumo e assim por diante.

O círculo virtuoso
Em um possível futuro de trabalho remoto / home-office, onde tudo que puder ser levado a este modelo o seja, poderia haver a contratação generalizada de funcionários fora da cidade-sede de cada empresa.

Com isso haveria uma diminuição do incentivo para as pessoas mudarem-se para a cidade grande e até criaria motivação para saídas de quem já mora lá. Também haveria uma consequente distribuição da renda para fora da regiões metropolitanas, que poderia levar os serviços - shoppings, escolas, hospitais, restaurantes, etc. - a ir atrás de onde está a renda, contribuindo para o êxodo.

Ao longo do tempo esse movimento poderia levar ao melhor dos dois mundos, as pessoas terem as oportunidades de trabalho e de renda da cidade grande, com qualidade de vida das cidade médias e pequenas. Sem prescindir de serviços de qualidade.

Devagar com o andor que o santo é de barro
Antes que o prezado leitor ache que eu estou deslumbrado com uma utopia de trabalho distribuído e a vida idílica da cidades pequenas e médias, permita-me listar as dificuldades para este cenário: primeiro, algumas atividades não podem ser fisicamente distribuídas. Os biólogos precisam ir ao laboratório, os técnicos de hardware precisam ir ao datacenter e muitas outras ocupações não são geo-independentes.

Depois, tem gente que gosta da muvuca. Há pessoas que preferem o convívio de um número enorme de outras pessoas, que a metrópole oferece. E por último, mas não menos importante, a maioria dos negócios não-digitais se beneficiam do adensamento populacional: ter mais potenciais clientes a uma menor distância.

Assim, mesmo que o trabalho remoto decole, um possível movimento de pessoas para fora das mega-cidades será moderado.

O animal racional
Se a sensatez fosse o motor do espírito humano, a esta altura do campeonato a maioria das empresas deveria estar avaliando quais atividades poderiam ficar no home-office para sempre e se não haveria pessoas talentosas e de melhor custo/benefício, moradoras de outras cidades, para contratos de trabalho remoto.

O mesmo bom senso estaria levando muitos profissionais a refletir se, no futuro próximo, não daria para negociar ter a mesma renda com trabalho remoto, trocando o apartamento apertado na capital por uma casa espaçosa com jardim e quintal no interior. E de quebra, parar de ter medo de ser assaltado cada vez que vai até a padaria.

No entanto, se as redes sociais são um termômetro do estado de espírito das empresas e seus empregados, a racionalidade tem sido atropelada pelo desejo de voltar logo para 2019, quando a gente era feliz e não sabia... Tenho visto mais posts na linha "Como promover a volta segura ao escritório" do que na direção contrária: "Como aproveitar essa deixa que já está muita gente em home-office para implantar de vez o trabalho distribuído".

A praia, a montanha e outros sonhos
A essa altura ainda é difícil avaliar se dessa vez o escritório geograficamente distribuído decola ou não e com ele algum esvaziamento das metrópoles. O que podemos dizer com certeza, é que nunca houve uma chance tão propícia para que isso aconteça.


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segunda-feira, 15 de junho de 2020

Novo normal: A área comercial ficará no home office?

Na nossa opinião, uma coisa já ficou clara: o home-office tem funcionado e por isso muita gente não vai voltar para o escritório. Porém há uma incerteza nesta estória: dá para vender no B2B sem sair de casa? As vendas empresariais podem funcionar sem a visita cara a cara do vendedor? A área comercial pode ficar no home office, como parece que muitas áreas ficarão?

Uma agradável surpresa
Em meio ao tsunami de más notícias da pandemia tem sobrado pouco espaço na mídia para se falar de uma coisa muito positiva que está acontecendo simultaneamente a toda essa desgraça: funcionou bem a transição de uma quantidade enorme de gente do escritório tradicional para o home-office.

Várias companhias como Facebook, Google, Microsoft, Amazon e Twitter já avisaram que vão esticar o período de home-office, independente de os governos permitirem volta. Falam em volta parcial ou em etapas aos escritórios para o final de 2020, outros para começo de 2021. Se essas empresas não estão com pressa em voltar assim que legalmente possível, é claro que o home-office está funcionando. O Twitter em particular já avisou que, para maioria dos seus funcionários, o home-office será para sempre.

E não são só as "Big Techs" - as maiores empresas americanas do Vale do Silício - que perceberam que home-office funciona.  Também muitos pequenos e médios escritórios lá e aqui no Brasil, dos mais variados ramos, desde escritórios de contabilidade até agências de marketing (um ramo que eu conheço bem 😃 ), tem tido a agradável surpresa de descobrir que com as pessoas trabalhando na casa delas a empresa continua funcionando perfeitamente.

A lanterna na popa
Esse que vos escreve já tem muita experiência no mundo do marketing e das vendas e assistiu muitas mudanças de cenário, em particular o crescimento do marketing e vendas pela Internet. No entanto ao longo desse tempo todo houve uma coisa que permaneceu constante: a necessidade do contato presencial para as vendas B2B, (business to business, de empresa para empresa).

A sala de reunião, o aperto de mãos, a troca de cartões tem sido fundamentais no estabelecimento de relações entre empresas. Depois de estabelecida a relação, às vezes as vendas subsequentes até são feitas por telefone, e-mail ou quase automaticamente por programação, mas a tradição da presencialidade no estabelecimento da relação, ou no fechamento de negócios maiores, nunca foi quebrada nos anos em que acompanhamos essas questões.

Porém, como dizia o saudoso economista Roberto Campos, a experiência é uma lanterna na popa do barco. O futuro sempre está na sua proa, no escuro.

O Zap, o Zoom e outras higiênicas ferramentas começadas por Z
Será que as ferramentas de teleconferência serão capazes de substituir a reunião presencial de vendas? Será que na tela do Whatsapp conseguiremos ler todos os sinais não verbais que ajudam a balizar uma negociação? Será que a tela do Microsoft Teams vai conseguir incutir a imponência e a intimidação da mesona no 21º andar, com vista para a Ponte Estaiada? E será que precisa?

Se você costuma vir a esse blog procurando certezas, essa é uma das vezes que não sairá satisfeito. Acreditamos que muitas atividades das empresas não voltarão do home office quando isso for seguro, porque o home office provou que funciona, é mais barato e melhora a qualidade de vida da maioria dos funcionários. Mas para as vendas B2B é difícil julgar se pode funcionar à distância. O que o prezado leitor acha?

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