quarta-feira, 17 de junho de 2020

Novo normal vai esvaziar (um pouco) as metrópoles?

Já que as empresas perceberam que o home-office veio para ficar, o próximo passo natural seria distribuir geograficamente a empresa: o gerente financeiro morar e trabalhar em Valinhos, a gerente de recursos humanos em Saquarema, um programador de software em Piracicaba o outro em Franca, enquanto a sede formal da empresa fica na Avenida Paulista.

Se as pessoas trabalham em home-office e conversam e se reúnem por teleconferência, sua localização não importa. As vantagens são gritantes: a empresa pode procurar talentos onde houver e o talento pode procurar trabalho onde houver.

Passado o desconforto com a quebra da tradição, com o "mas não é assim que as empresas sempre trabalharam", o trabalho distribuído pode se tornar uma revolução de eficiência e lucratividade tão grande quanto foi a do e-commerce nos últimos anos.

Porque você se amontoa com mais dez milhões de pessoas
Se perguntado diretamente, todo morador de grande metrópole responde que mora assim por causa dos bares e restaurantes, dos teatros, cinemas, shoppings, parques e outras opções de lazer, além do acesso a melhores hospitais e escolas. É comum a pessoa não citar, ou citar por último a razão mais importante: ganhar dinheiro.

Acontece que nas metrópoles há mais mercado para a maioria dos profissionais e empresas. Em busca dessas oportunidades de renda melhor as pessoas engolem o trânsito congestionado, o metrô e ônibus lotado, a poluição, os custos de vida e de moradia mais altos, a criminalidade e outros sapos da cidade grande.

Claro que atrás do dinheiro as vantagens da cidade grande se retroalimentam: tem mais escolas boas porque tem mais famílias com renda alta, tem mais bons hospitais porque tem mais gente com plano de saúde, tem mais shoppings porque tem mais gente com renda excedente para consumo e assim por diante.

O círculo virtuoso
Em um possível futuro de trabalho remoto / home-office, onde tudo que puder ser levado a este modelo o seja, poderia haver a contratação generalizada de funcionários fora da cidade-sede de cada empresa.

Com isso haveria uma diminuição do incentivo para as pessoas mudarem-se para a cidade grande e até criaria motivação para saídas de quem já mora lá. Também haveria uma consequente distribuição da renda para fora da regiões metropolitanas, que poderia levar os serviços - shoppings, escolas, hospitais, restaurantes, etc. - a ir atrás de onde está a renda, contribuindo para o êxodo.

Ao longo do tempo esse movimento poderia levar ao melhor dos dois mundos, as pessoas terem as oportunidades de trabalho e de renda da cidade grande, com qualidade de vida das cidade médias e pequenas. Sem prescindir de serviços de qualidade.

Devagar com o andor que o santo é de barro
Antes que o prezado leitor ache que eu estou deslumbrado com uma utopia de trabalho distribuído e a vida idílica da cidades pequenas e médias, permita-me listar as dificuldades para este cenário: primeiro, algumas atividades não podem ser fisicamente distribuídas. Os biólogos precisam ir ao laboratório, os técnicos de hardware precisam ir ao datacenter e muitas outras ocupações não são geo-independentes.

Depois, tem gente que gosta da muvuca. Há pessoas que preferem o convívio de um número enorme de outras pessoas, que a metrópole oferece. E por último, mas não menos importante, a maioria dos negócios não-digitais se beneficiam do adensamento populacional: ter mais potenciais clientes a uma menor distância.

Assim, mesmo que o trabalho remoto decole, um possível movimento de pessoas para fora das mega-cidades será moderado.

O animal racional
Se a sensatez fosse o motor do espírito humano, a esta altura do campeonato a maioria das empresas deveria estar avaliando quais atividades poderiam ficar no home-office para sempre e se não haveria pessoas talentosas e de melhor custo/benefício, moradoras de outras cidades, para contratos de trabalho remoto.

O mesmo bom senso estaria levando muitos profissionais a refletir se, no futuro próximo, não daria para negociar ter a mesma renda com trabalho remoto, trocando o apartamento apertado na capital por uma casa espaçosa com jardim e quintal no interior. E de quebra, parar de ter medo de ser assaltado cada vez que vai até a padaria.

No entanto, se as redes sociais são um termômetro do estado de espírito das empresas e seus empregados, a racionalidade tem sido atropelada pelo desejo de voltar logo para 2019, quando a gente era feliz e não sabia... Tenho visto mais posts na linha "Como promover a volta segura ao escritório" do que na direção contrária: "Como aproveitar essa deixa que já está muita gente em home-office para implantar de vez o trabalho distribuído".

A praia, a montanha e outros sonhos
A essa altura ainda é difícil avaliar se dessa vez o escritório geograficamente distribuído decola ou não e com ele algum esvaziamento das metrópoles. O que podemos dizer com certeza, é que nunca houve uma chance tão propícia para que isso aconteça.


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segunda-feira, 15 de junho de 2020

Novo normal: A área comercial ficará no home office?

Na nossa opinião, uma coisa já ficou clara: o home-office tem funcionado e por isso muita gente não vai voltar para o escritório. Porém há uma incerteza nesta estória: dá para vender no B2B sem sair de casa? As vendas empresariais podem funcionar sem a visita cara a cara do vendedor? A área comercial pode ficar no home office, como parece que muitas áreas ficarão?

Uma agradável surpresa
Em meio ao tsunami de más notícias da pandemia tem sobrado pouco espaço na mídia para se falar de uma coisa muito positiva que está acontecendo simultaneamente a toda essa desgraça: funcionou bem a transição de uma quantidade enorme de gente do escritório tradicional para o home-office.

Várias companhias como Facebook, Google, Microsoft, Amazon e Twitter já avisaram que vão esticar o período de home-office, independente de os governos permitirem volta. Falam em volta parcial ou em etapas aos escritórios para o final de 2020, outros para começo de 2021. Se essas empresas não estão com pressa em voltar assim que legalmente possível, é claro que o home-office está funcionando. O Twitter em particular já avisou que, para maioria dos seus funcionários, o home-office será para sempre.

E não são só as "Big Techs" - as maiores empresas americanas do Vale do Silício - que perceberam que home-office funciona.  Também muitos pequenos e médios escritórios lá e aqui no Brasil, dos mais variados ramos, desde escritórios de contabilidade até agências de marketing (um ramo que eu conheço bem 😃 ), tem tido a agradável surpresa de descobrir que com as pessoas trabalhando na casa delas a empresa continua funcionando perfeitamente.

A lanterna na popa
Esse que vos escreve já tem muita experiência no mundo do marketing e das vendas e assistiu muitas mudanças de cenário, em particular o crescimento do marketing e vendas pela Internet. No entanto ao longo desse tempo todo houve uma coisa que permaneceu constante: a necessidade do contato presencial para as vendas B2B, (business to business, de empresa para empresa).

A sala de reunião, o aperto de mãos, a troca de cartões tem sido fundamentais no estabelecimento de relações entre empresas. Depois de estabelecida a relação, às vezes as vendas subsequentes até são feitas por telefone, e-mail ou quase automaticamente por programação, mas a tradição da presencialidade no estabelecimento da relação, ou no fechamento de negócios maiores, nunca foi quebrada nos anos em que acompanhamos essas questões.

Porém, como dizia o saudoso economista Roberto Campos, a experiência é uma lanterna na popa do barco. O futuro sempre está na sua proa, no escuro.

O Zap, o Zoom e outras higiênicas ferramentas começadas por Z
Será que as ferramentas de teleconferência serão capazes de substituir a reunião presencial de vendas? Será que na tela do Whatsapp conseguiremos ler todos os sinais não verbais que ajudam a balizar uma negociação? Será que a tela do Microsoft Teams vai conseguir incutir a imponência e a intimidação da mesona no 21º andar, com vista para a Ponte Estaiada? E será que precisa?

Se você costuma vir a esse blog procurando certezas, essa é uma das vezes que não sairá satisfeito. Acreditamos que muitas atividades das empresas não voltarão do home office quando isso for seguro, porque o home office provou que funciona, é mais barato e melhora a qualidade de vida da maioria dos funcionários. Mas para as vendas B2B é difícil julgar se pode funcionar à distância. O que o prezado leitor acha?

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sexta-feira, 8 de maio de 2020

Você voltar para o escritório? Pode ser que não.

Previsão de futuro é uma profissão de risco, mas na nossa opinião, muitas das pessoas que estão trabalhando em home-office vão continuar trabalhando em casa conforme a pandemia for melhorando e acabando e, na verdade, para sempre. Acompanhe comigo prezado leitor:

Eu adoro congestionamento
A troco do que você fica uma hora preso no trânsito pra ir, mais uma hora preso no trânsito para voltar, só para poder ficar algumas horas respondendo e-mails e dando telefonemas? Ou 40 minutos de metrô lotado pra ir e uma hora pra voltar (porque à tarde o metrô piora) só para revisar no Excel a previsão de vendas, ou o orçamento da filial?

Essa mecânica de ida e volta da casa para o trabalho foi criada para o operário da fábrica, que não pode trazer a prensa de metal para casa, ou para a época que computadores e linhas telefônicas eram caros e tinham que ser compartilhados entre vários funcionários do escritório.

Com o super-barateamento da informática, linhas telefônicas e de Internet, qualquer pessoa pode ter a computação e comunicação de um escritório em casa e fazer em casa, o que faz no escritório.

Eu adoro reunião
Ah, mas como fica aquela hora que todos os gerentes sentam no escurinho da sala de reunião, em volta daquela mesona, enquanto o diretor passa um interminável Power-Point com os planos infalíveis de dominação do mercado, válidos para o terceiro quartil do ano fiscal?

Desde o primeiro mês de quarentena já ficou claro que dá para recriar a mesmíssima dinâmica da sala de reunião com o Microsoft Teams, Zoom, Google Hangouts e similares, incluindo aí metade do público dormindo e a outra metade voando.

E para os poucos casos em que uma reunião é realmente a melhor forma de abordar um problema, o Teams também resolve, melhor que presencialmente, porque organiza e documenta automaticamente a troca de informação entre os participantes.

O seu diretor financeiro não é tonto
Os CFOs, controllers e similares podem ser (e são) acusados de muitas coisas ruins nas conversas em volta da máquina de café do escritório, mas uma coisa você tem que admitir: ninguém chega a uma posição dessa sendo bobo. E na planilha que eles olham todo dia, um das linhas mais no alto é a que contem o escorchante aluguel daquele belo escritório na Faria Lima, Berrini ou Paulista.

Sim, parte desse custo é marketing. É para impressionar visitantes com a portaria de mármore de pé direito triplo e a vista do Jóquei Clube que o 17º andar tem. Mas a maioria das atividades de qualquer empresa não precisa dessa vista. Se der para a empresa operar com esse espaço pela metade, um terço, ou talvez menos, os financeiros vão cortar. E a quarentena provou na prática que dá.

E antes que você pense que nossa argumentação não vale para a pequena empresa, cortar o aluguel do sobradinho onde ela fica é proporcionalmente tão bom para ela, ou até melhor, que a multinacional cortar o conjuntão no prédio envidraçado.

Mas se home-office é tão bom, porque não foi adotado antes?
A essa altura desse post o prezado leitor pode estar pensando: há alguns meses atrás, antes desse meteoro atingir a Terra, todas essas vantagens já eram verdade e todas essas ferramentas de Internet e computação já existiam. Por que a migração para home-office não aconteceu antes?

Na nossa opinião, a maioria dos executivos e empresários já via algumas das vantagens do home-office, e já vinha em alguns casos experimentando. Porém, temia fazer uma mudança radical. Arriscar virar de ponta cabeça uma mecânica conhecida, que estava funcionando há anos. Porém, gostando ou não, com medo ou não, a pandemia obrigou todos a fazer o teste, a aceitação e a implantação de uma tacada só.

Nem tudo são flores
Apesar de alguns bons resultados preliminares da migração maciça para o trabalho remoto, também algumas dificuldades estão ficando claras. Algumas são devidas à adoção forçada e apressada e não a problemas no conceito. Por exemplo "a velocidade da Internet na minha casa não é boa" ou "não tenho um escritório montado em casa".

Essa e outras questões operacionais e administrativas vão ser resolvidas rapidamente, conforme as pessoas e as empresas forem aprendendo, se adaptando e fazendo pequenos investimentos. E já está acontecendo. Uma empresa de nosso relacionamento contratou Internet mais rápida para a casa dos funcionários e outra enviou cadeiras de escritório mais confortáveis para seus funcionários em casa.

Outros problemas são mais complicados, como os pais com crianças pequenas de quarentena em casa. Eles precisam dividir seu tempo entre atividades de escritório, professor, babá e entretenimento infantil. Mas esse não é um problema do home-office, é um problema da quarentena das crianças. Se resolverá quando as escolas retomarem as atividades.

O animal social
Sério também é que, para muitas pessoas, o escritório era parte importante do convívio social, da interação humana. Na verdade, muitas pessoas passavam mais tempo com os colegas de escritório do que com quaisquer outras pessoas. Às vezes mais até do que com a família nuclear. Trabalhar em casa, que tira esse convívio, pode levar à melancolia ou até depressão.

O futuro não é mais o que era antes
Como dissemos no começo, previsão de futuro é uma missão arriscada. Pode ser que um remédio eficaz ou a vacina surjam mais rápido do que as expectativas. Pode ser que chegue logo a chamada "imunidade de manada" - ter tanta gente que já teve contato sintomático ou assintomático com o vírus que interrompa a transmissão. Se isso acontecer, é provável voltar com força o modelo de trabalhar todo mundo no mesmo escritório físico. Força do habito e do conhecimento.

Porém, quanto mais a saída da pandemia demora, mais as empresas estão vendo na prática o que funciona ou não no home-office. Também estão aprendendo e investindo em técnicas e ferramentas.  É provável que quando o perigo diminuir, muito do que estiver funcionando bem em home-office vá ficar, porque será mais prático e barato que trazer de volta para o escritório.

Dias melhores
Se esse futuro pós-pandemia com muita gente em home-office permanente se concretizar, a falta de socialização talvez possa ser combatida com atividades em grupo semanais ou quinzenais, no que restar do escritório central ou em locais para isso. Poderá ser o melhor de dois mundos. As vantagens do home-office - menos trânsito, menos poluição, mais tempo pessoal e para a família - sem abrir mão da saudável socialização com os colegas de trabalho.

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terça-feira, 5 de maio de 2020

3 boas notícias (digitais) em meio à pandemia

Como acontece uma diminuição da sensibilidade das pessoas para as mesmas más notícias repetidas todos os dias, para manter a atenção do público a grande mídia parece estar em um campeonato de quem encontra a maior fonte de desesperança, ou a imagem mais chocante.

Nessa competição macabra por audiência, muitas vezes é dado pouco destaque às coisas boas que também tem acontecido no Brasil. Gostaríamos de destacar algumas, vindas do mundo digital, assunto deste blog:

1) A infra-estrutura da Internet brasileira aguentou
Milhões de estudantes, do fundamental à pós-graduação assistindo aulas remotamente, milhões de outros brasileiros tralhando em casa - o home office - e mais outros milhões se entretendo em serviços de streaming como o Netflix ou Spotify, para minimizar o tédio da quarentena. Simultaneamente. Se você dissesse em janeiro desse ano que isso iria acontecer, muitos profissionais de T.I. e telecom previriam lentidões e travamentos

No entanto, para a nossa agradável surpresa esse gigantesco aumento da carga sobre as linhas de comunicação da Internet brasileira aconteceu sem sustos ou solavancos.

2) O home-office está funcionando
A migração para o trabalho remoto está sendo um aprendizado para todos - empresários e trabalhadores - e algumas arestas ainda estão sendo aparadas. No entanto, no que diz respeito à produtividade, embora não tenhamos uma estatística formal, temos ouvido de muitos empresários e executivos que conversamos nessa quarentena que a transição para trabalho em casa tem sido relativamente fácil e o desempenho do pessoal no home office tem sido satisfatório.

Em alguns casos - por exemplo alguns departamentos de desenvolvimento de software - temos notícias de que a produtividade até aumentou em relação ao que acontecia no escritório. E do lado dos empregados, mesmo sentindo falta do convívio social com os colegas, muitos já estão experimentando diariamente as óbvias vantagens de descartar a viagem de ida e volta, especialmente complicada nas metrópoles.

A coisa está indo tão bem que acreditamos que algumas empresas decidam manter parte de suas atividades em home-office quando a pandemia acabar ou diminuir, porque o desempenho tem sido bom, o custo é menor e melhora a qualidade de vida de muitos empregados.

3) O ensino remoto está funcionando (pelo menos em parte)
Primeiro vamos à parte problemática: se prezado leitor está em home-office e é pai de criança no ensino fundamental, pode estar muito incomodado com a mudança forçada para ensino remoto e "homeschooling". As crianças menores não conseguem estudar sozinhas no computador, então os pais tem que atuar como professores. Além do ensino, também precisam substituir os serviços de babá e entretenimento que a escola provia. E some-se que alguns aspectos do ensino fundamental, como a alfabetização, exigem uma especialização profissional que os pais não tem. Esse acumulado de dificuldades compõe uma parte do ensino remoto ainda mal resolvida.

Agora, a parte positiva: no ensino médio, cursos pré-vestibulares e faculdades a situação é melhor, há histórias de sucesso  na transição para o ensino remoto. Muitos professores conseguiram se adaptar bem às novas ferramentas digitais e do outro lado da linha, os alunos - adolescente e jovens adultos, sabem e gostam de se comunicar pela Internet. Testemunhamos vários relatos sobre aulas por teleconferência que tiveram uma avaliação tão boa quanto, ou até mesmo melhor, que as presenciais.

Além disso, aulas ao vivo por teleconferência tem sido gravadas para uso posterior e também sido complementadas por aulas pré-produzidas em vídeo. Uma vídeo-aula pode ter mais recursos que uma aula ao vivo, como um filme pode ter mais recursos que uma peça de teatro. E um vídeo pode ser assistido em horários diferentes de acordo com a disponibilidade do aluno ou assistido várias vezes, para assuntos mais difíceis.

A viabilidade e algumas vantagens do ensino de adolescentes um pouco mais velhos, jovens adultos e adultos pela Internet estão ficando mais claras à medida que as escolas vão descobrindo e desenvolvendo técnicas e ferramentas. Acreditamos que quando a pandemia diminuir ou acabar muitas escolas, alunos e pais vão considerar não voltar ao ensino tradicional em sala de aula, pelo menos não totalmente.

Um comentário final importante
Não queremos neste post minimizar o impacto em vidas humanas e sofrimento das famílias, nem as perdas econômicas trazidas pela pandemia. Também não queremos negar que a luz no fim do túnel ainda não está tão visível quanto gostaríamos, para o Brasil e para o mundo. Apenas queremos destacar que alguns aspectos da transformação digital forçada e apressada que tivemos que fazer estão se mostrando melhores que a expectativa e podem até deixar um legado positivo para o pós-pandemia.

sexta-feira, 24 de abril de 2020

5 dicas para sua empresa criar conteúdo de marketing na pandemia

As pessoas confinadas em casa estão consumindo mais conteúdo digital, estão gastando mais tempo acessando a Internet. Você pode se aproveitar disso criando conteúdos para elas: vídeos, textos, apresentações, tutoriais e aulas, etc.

Se você estiver podendo vender agora, esse conteúdo que você puser na Internet já ajuda no curto ou médio prazo. Se seu negócio estiver legal, física ou psicologicamente bloqueado pela quarentena, pelo menos você vai se mantendo presente no imaginário da freguesia, para quando puder voltar a vender.

De quebra, se você conseguir criar um mecanismo de produção regular de conteúdo e encontrar uma boa agência (como a Vendere 😃) para ajudá-lo, isso vai ser útil para agora, para a quarentena mais dura e também vai ajudar na abertura gradual que vai se seguir. Bem feito, marketing de conteúdo pode ajudar sua empresa para sempre.

As 5 dicas

1) Lives podem ser uma boa opção
O sucesso das lives - transmissões de vídeo ao vivo pela Internet - tem sido enorme. A Marília Mendonça quase derrubou o Youtube quando mais de 3 milhões de pessoas acessaram simultaneamente a live dela. Deu até notícia no New York Times. Haja sofrência... e há muitos outros exemplos de lives bem sucedidas.

A proliferação das lives nestes tempos de isolamento se deve primeiro ao fato que elas conseguem recriar um pouco da mágica do contato presencial, ao vivo, que as pessoas sentem falta. Segundo, porque o custo de produção é muito baixo. No extremo, tudo o que você precisa para fazer uma live é um celular. E terceiro, por que dá para fazer sem ninguém furar a quarentena.

Porém, as de maior público são as de pessoas que já lotavam estádios antes, como Bruno e Marrone ou Ivete Sangalo. Sua empresa não tem essa audiência prévia. Uma live com audiência pequena já ajuda seu marketing, mas se você quiser tentar alcançar mais gente, pode tentar pelo menos dois caminhos:

a) Ter na sua live alguém famoso. Por exemplo, você conversando com um empresário conhecido, ou com um autor, coach ou palestrante famoso no seu mercado. Você amarra sua canoinha no transatlântico do famoso; e b) Tentar criar um conteúdo muito, muito atraente para seu público . Nisso, as dicas seguintes podem ajudar.

2) Ligue seu conteúdo ao novo Coronavírus
Seja uma live, um vídeo pré-gravado, um texto no blog, um infográfico, uma sequência de slides de power point, ou qualquer outro tipo de conteúdo, ter as palavras "Coronavírus", "Covid-19" ou "Sars-Cov-2" no título e no link aumenta a chance das pessoas quererem ver. É o assunto que as pessoas mais estão preocupadas agora.

No entanto, para alguns negócios vai ser mais fácil e para outros mais difícil, talvez impossível, encontrar uma ligação real entre o que você tem para dizer, seus produtos e serviços e a pandemia. Não adianta você colocar Coronavírus no título, a pessoa clicar e quando ela chegar no seu conteúdo o assunto é outro ou a ligação com a pandemia é meio forçada. A pessoa pode se sentir enganada e ser um tiro no próprio pé do seu marketing.

3) Tente mostrar como seu produto ou serviço pode ajudar economicamente na crise
Depois do risco da doença, a segunda coisa que mais atrai a atenção das pessoas hoje em dia é o risco de perder o emprego ou a empresa falir, na bruta crise econômica que a pandemia está provocando.

Se sua empresa, produtos ou serviços tem alguma possibilidade de contribuir para as pessoas ou outras empresas atravessarem economicamente a crise, esse é um viés que pode ser dado também a qualquer tipo de conteúdo, um enfoque da sua comunicação que vai chamar a atenção

4) Tente abordar problemas provocados pelo confinamento
Uma outra coisa que atrai muito a atenção hoje em dia são as mudanças e agruras provocadas pelo confinamento. Perrengues conjugais, educação e entretenimento das crianças fora da escola, fazer exercícios sem ir à academia, administração e segurança no home office, etc.

Se você encontrar uma ligação razoável, natural, entre sua empresa, produtos ou serviços e o controle ou enfrentamento destas questões, qualquer tipo de conteúdo a este respeito pode provocar mais interesse.

5) Dê boas notícias
Em meio ao bombardeio vindo da mídia com notícias depressivas, se você tiver alguma coisa positiva para contar, pode atrair a atenção de quem está procurando um tico de alívio. E funciona para o seu marketing mesmo que o que você tenha para contar esteja indiretamente ligado à sua empresa, produtos ou serviços.

Vale casos de sucesso técnicos ou econômicos, seus ou de clientes em meio à crise, vale ações beneméritas ou assistenciais suas e ou de seus clientes e qualquer outra informação que dê um pouco de conforto ou esperança.

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quarta-feira, 15 de abril de 2020

3 coisas que dá para fazer na quarentena (para seu marketing digital)

Você deve ter visto muitos artigos e vídeos com dicas e tutoriais sobre o que fazer durante a quarentena.

Se você tivesse seguido só uma pequena parte já teria 3 mestrados online gratuitos, também já teria redecorado a casa só movendo as coisas de lugar e, de quebra, aprendido a fazer lindas esculturas ornamentais com a terra do jardim de sua casa, cozida no microondas...

Gostaríamos de dar aqui mais uma abordagem sobre coisas a fazer na quarentena, mas com o viés desse blog: melhorar o marketing digital da sua empresa.

Nem todos estão sofrendo o mesmo tanto
Pode ser que você esteja com um certo desânimo de mexer no seu marketing neste momento, dependendo de quanto seu negócio foi prejudicado pela pandemia. Mas mesmo nessa crise pode haver oportunidades de negócios, se sua presença digital ajudar. Há muitas coisas que continuam funcionando, por exemplo as pessoas mesmo em casa continuam comendo, comprando remédios, assistindo TV e navegando na Internet. Alguém tem que fornecer para elas e a cadeia produtiva associada.

Além disso, há setores que estão até crescendo, como por exemplo e-commerce e entregas urbanas de todos os tipos, bem como a fabricação, importação e distribuição de produtos médicos, de higiene e proteção sanitária.  Algumas empresas de comunicação e T.I. (tecnologia da informação) também estão lucrando com a adoção em massa do home office.

Outro mercado, relativamente pequeno porém lucrativo, é a construção e ampliação de instalações hospitalares permanentes e de campanha, em praticamente todas as cidades médias e grandes. Isso movimenta uma ampla cadeia de fornecedores de produtos e serviços.

O Sol vai nascer amanhã
Mesmo que as oportunidades para sua empresa em particular sejam muito pequenas ou nulas no presente, muitos dos seus possíveis clientes estão planejando, ou pelo menos sonhando, o que farão quando as coisas melhorarem um pouco. Um bom contato com seu site, blog e/ou redes sociais agora pode resultar numa venda mais a frente.

AS 3 COISAS

1 - Melhora da presença da sua empresa na Internet
A familiaridade e o dia-a-dia podem fazer você não prestar muita atenção na sua presença digital e deixar de perceber que ela está ficando para trás de seus concorrentes. E bem nessa hora que o contato mais importante que um cliente ou futuro cliente pode ter com você é pela Internet.

Uma reavaliação da sua presença digital, feita por uma boa agência, pode mostrar onde mexer, se necessário. Se você precisar melhorar, por exemplo fazer um upgrade no seu site, o lançamento de um blog ou a inclusão de novos conteúdos em suas redes sociais, isso pode ser feito em prazos relativamente curtos e de forma totalmente remota, você aí e a agência aqui.

2 - Criação de conteúdos específicos para serem consumidos na quarentena 
A massa de gente confinada em casa está necessariamente consumindo mais conteúdo digital. Claro que o grosso disso são notícias sobre a pandemia para se estressar e séries da Netflix, para tentar se desestressar... Mas parte desse conteúdo que as pessoas vão ver na quarentena pode ser da sua empresa, como um artigo de blog ou um vídeo no site.

É necessário pensar uma estratégia sobre o que seu público em particular poderia querer ver nesse momento e criar de acordo com essa estratégia. Se você tiver o que vender agora é uma oportunidade de falar com clientes e possíveis clientes, se não tiver  pelo menos você vai mantendo sua marca e sua imagem vivas no mercado e quando der, vende.

3 - Criação de produtos digitais
Talvez você já estivesse pensando nisso antes da pandemia e ela só tenha apressado os planos, talvez você tenha que sair do zero, mas será que não haveria ligado a seu negócio um produto digital, ou um acessório digital a um produto ou serviço físico que você possa criar?

Eu sei que você (e eu e o resto da humanidade) gostaríamos de continuar fazendo negócios do jeito que já sabíamos e estávamos acostumados a fazer e, se fossemos lançar uma novo produto ou serviço, fazê-lo em um cronograma mais tranquilo e sem incertezas econômicas. Mas o mundo é o que é e não o que gostaríamos que fosse...

Mas agora é a hora de mexer nisso?
Provavelmente existem muitas coisas que você poderia ou gostaria de fazer para melhorar sua empresa, produtos ou serviços, que agora nessa crise não são possíveis ou são muito difíceis.

Porém, se há uma coisa que dá para fazer agora, começar hoje se você quiser, é mexer na presença da sua empresa na Internet: renovar seu site, criar um blog, publicar novos conteúdos no site, blog e redes sociais e, quem sabe, até lançar algum produto ou acessório digital.

Um projeto de desenvolvimento de tecnologia e conteúdo para a Internet pode ser feito de forma completamente remota. Reuniões por "Zap", Zoom e outras ferramentas começadas por Z 😃, apresentação e aprovação via Internet e disponibilização para o público via site, blog e redes sociais.

Além disso, as agências digitais sensatas (como a Vendere) tem planos de pagamento adequados ao momento que vivemos, com preços mais camaradas, parcelas postergadas e outras facilidades, para enfrentarmos todos juntos esse momento difícil.

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segunda-feira, 6 de abril de 2020

9 dicas para vídeo-reuniões mais produtivas no home office

Com a adoção em massa do home office, as reuniões de funcionários da empresa e também com clientes e fornecedores passaram a ser por vídeo - Skype,  vídeo do Whatsapp, Google Hangouts, Bluejeans, Microsoft Teams, Zoom, etc.

Como na Vendere há 18 anos a gente come, bebe e dorme Internet e já fizemos muitas vídeo-reuniões e vídeo-conferências, gostaríamos de compartilhar um pouco do que aprendemos para aumentar sua produtividade:

1) Só uma pessoa muito superficial não acredita nas aparências
Claro que todo mundo que lê esse blog sabe que não é para fazer reunião de pijama, mas estar em casa pode levar você a dar uma relaxada no padrão. Para suas vídeo-reuniões use as mesmas roupas, acessórios e rotina de grooming (banho, pentear/arrumar o cabelo, fazer a barba, maquiagem, etc.) que usaria se estivesse no escritório. De quebra, manter a rotina matinal e estar "bem arrumada(o)" aumenta a sua atenção e disposição psicológica para o dia de trabalho.

2) Olhos nos olhos
Nem a Gisele Bündchem fica bem naquele ângulo de baixo para cima que um notebook filma as pessoas, quando na mesa ou no colo. Se você não quiser parecer que saiu direto do set de Nosferatu para a reunião, levante a câmera até a altura dos seus olhos usando um suporte de notebook ou, se não tiver, use uma pilha de livros ou outro objeto que tiver em casa. (Tá, a Gisele talvez passasse. Já eu e você...)

3) Aquilo é um cesto de roupa suja?
Você gostaria que as pessoas prestassem atenção só na belíssima apresentação que está fazendo no vídeo, mas a tendência natural do ser humano é fazer um curioso e atento escaneamento de tudo que aparece na imagem. Então, ligue a câmera antes da reunião e verifique tudo que aparece atrás de você. Arrume o ambiente. Tire os livros ou escolha um ângulo ou distância que não dê para ler o títulos. Sempre opte por um fundo bem neutro.

4) Luz, mais luz!
Se você não quiser correr o risco de ficar a com aparência sinistra do Marlon Brando em Apocalipse Now, fique próximo e de frente para uma janela ensolarada. Além disso, um ambiente que parece bem iluminado ao olho pode ser insuficiente para a câmera então, mesmo de dia e perto da janela, também sempre experimente acender a luz do ambiente e veja se melhora. Evite janela nas costas porque faz o rosto ficar mal iluminado, mas se não houver outro ângulo possível, feche a cortina ou persiana nas costas e acenda a luz do ambiente.

5) Au, au
Como não é possível (nem sensato ou legal 😃) envenenar o cachorro do vizinho ou amordaçar as crianças para a reunião, escolha um ambiente mais isolado, feche a porta e o vidro da janela. Além disso o microfone embutido do computador ou celular tem baixa qualidade e pega muito ruído ambiente. Use um conjunto microfone / fone de ouvido, como esses normais de celular. Também tente se lembrar de desligar o seu microfone durante o tempo que outras pessoas estiverem falando.

6) Tô ficando meio mareado
Imagem chacoalhando em uma conversa curta é ruim, em uma mais longa é insuportável. Para vídeo-reuniões sempre dê preferência a uma câmera fixa, mas se tiver que usar o celular, fixe-o em um suporte, ou coloque-o apoiado em uma superfície. Se você segurar o celular na mão (ou usar o notebook no colo) inevitavelmente a imagem vai ficar mexendo.

7) Abaixo o socialismo!
A banda passante (a velocidade de comunicação) do WiFi da sua casa é dividida por todas a pessoas que a estejam usando simultaneamente. Então, com seu cônjuge e filhos em casa e todo mundo trabalhando, estudando e se divertindo na Internet ao mesmo tempo, a velocidade pode ficar baixa para vídeo ao vivo bidirecional. Para evitar possíveis engasgadas ou travadas na imagem de suas reuniões, você pode se conectar por cabo ao roteador da casa, o que é nativamente mais rápido e não compartilhado.

8) A man with a plan
Se as reuniões no escritório costumam ser chatas e improdutivas, por vídeo a coisa pode passar de mal a pior. Um maneira minimizar isso é rascunhar um roteiro de itens a serem abordados e, especialmente, o objetivo claro e específico do que você quer atingir com aquela reunião, para poder encerrá-la quando chegar lá. Tudo isso vale se você é que teve a iniciativa ou tem controle da reunião. Se for o seu chefe, minha única dica é: aguente firme. Emprego não tá fácil nessa crise...

9) Peraí só um pouquinho
Seja pontual com o horário programado para começar. Para evitar interrupções e esperas, ou a visão da sua cadeira vazia, faça um checklist de tudo que vai precisar na reunião e tenha antes tudo à mão, por exemplo papéis na mesa e as várias telas das informações já abertas no computador. E lembre-se, pior que a sua cadeira vazia, só a visão do seu traseiro passando na frente da câmera quando você levantar para ir pegar o papel que esqueceu...

10 dica bônus) No futuro todo mundo vai ter 15 minutos de fama
Se você faz muitas reuniões remotas, mas principalmente se você quer causar uma excelente impressão em clientes por vídeo-reunião, ou ainda se você faz vídeo conferências para grupos grandes de pessoas, você pode considerar investir em um upgrade para um "kit Youtuber": câmera profissional/semi-profissional, tripé, microfone direcional ou de lapela e luz para vídeo. Um kit desse tipo que os Youtubers usam não é barato (especialmente uma câmera DSLR  como uma Canon T7i por exemplo) mas a diferença de qualidade é gritante e pode afetar a percepção que o cliente tem de sua empresa. De quebra, nas horas vagas você pode usar os equipamentos para se lançar numa nova carreira paralela, a de influenciador digital...

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