terça-feira, 12 de junho de 2018

Uber quer patente de tecnologia que detecta clientes bêbados

A imprensa americana divulgou que a UBER pediu aprovação no departamento de patentes do governo americano de uma tecnologia que, usando inteligência artificial, pode identificar se o cliente que chamou um carro da Uber está bêbado, e em que grau de bebedeira.

A tecnologia usará erros e velocidade de digitação, velocidade e linearidade do movimento do portador do celular, horário e localização do chamado e outras variáveis para determinar o estado etílico do cliente. Por exemplo, se o celular perceber que o freguês está digitando devagar e com erros, andando meio trôpego em zigue-zague, às duas da manhã, na Vila Madalena, é quase certo que esteja bêbado.

Segundo a companhia, isso permitirá ao condutor se preparar para o problema que vai encontrar e até em casos extremos, recusar a corrida. Eu não sei o que você achou disso prezado leitor, mas nesse que vos escreve, a possibidade do Uber começar a usar essa tecnologia levanta uma série de preocupações:

Preocupação 1) A Uber não deveria se interessar mais em identificar se o motorista está bêbado e não tanto com o cliente?

Preocupação 2) Monitorar quando o cliente bebe vai ser mais uma bruta invasão da privacidade. E a Uber tem um precedente ruim quanto a manter seguros os dados que coleta. No final de 2017 noticiou-se que a Uber tinha pago um resgate de US$100 mil para hackers que roubaram dados de 50 milhões de clientes e 7 milhões de motoristas, de vários países.

Preocupação 3) Uma reportagem da CNN apontou mais de 100 casos nos EUA de ataque ou abuso sexual, de motoristas da Uber contra passageiras clientes, muitas delas alcoolizadas. O motorista saber de antemão, o quão bêbada sua cliente está, pode estimular ou facilitar comportamento predador.

Preocupação 4) Já pensou se a pessoa digitando devagar e com erros, andando meio trôpega em zigue-zague, às duas da manhã na Vila Madalena, é uma moradora que teve um derrame, tentando ir para o pronto-socorro?

Deixando de lado a brincadeira da minha preocupação número 4, a coleta de dados dos clientes por diferentes aplicativos nos seus celulares é um problema sério que tem merecido pouca atenção da mídia, dos órgãos reguladores do governo e das próprias pessoas que usam os aplicativos.

Acredito que seria necessário um debate maior entre sociedade, governo e as empresas de tecnologia para que sejam estabelecidos melhor as regras e limites dessas práticas da coleta, guarda e uso de dados dos clientes dos diferentes aplicativos de celular.


Fontes:

[1] Techcrunch - Uber applies for patent that would detect drunk passengers - https://techcrunch.com/2018/06/11/uber-applies-for-patent-that-would-detect-drunk-passengers/

[2] Bloomberg - Uber Paid Hackers to Delete Stolen Data on 57 Million People - https://www.bloomberg.com/news/articles/2017-11-21/uber-concealed-cyberattack-that-exposed-57-million-people-s-data

[3] CNN - CNN investigation: 103 Uber drivers accused of sexual assault or abuse - http://money.cnn.com/2018/04/30/technology/uber-driver-sexual-assault/index.html?iid=EL

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Facebook testa ferramenta para anunciantes acharem influenciadores digitais

Já há algum tempo muitas marcas perceberam o potencial do marketing de influenciadores digitais: pagar a pessoas que tenham seguidores em redes sociais para elas passarem mensagens comerciais para os seus seguidores. Agora o Facebook se prepara para agir mais neste mercado, com uma ferramenta que facilitará anunciantes encontrar influenciadores.

O lado bom do uso de influenciadores para o marketing é que eles permitem refinar a segmentação da audiência: os seguidores de um determinado Facebooker, Instagramer ou blogueiro tem características muito mais claras que a audiência inespecífica de um programa de TV ou de rádio. Além disso esses influenciadores criam ao longo do tempo uma relação de confiança, até afetividade com sua audiência, que a marca anunciante pode capitalizar para si.

Pelo lado ruim, há uma gigantesca massa de produtores de conteúdo atuantes nas redes sociais, pode ser difícil para um anunciante achar quais seriam os mais adequados para seu marketing. Para ajudar na solução desse problema o Facebook está testando uma ferramenta que permitirá ao anunciante usar parâmetros de pesquisa como dados geográficos e demográficos, interesses e comportamento da audiência para obter uma lista de influenciadores que se encaixam nos parâmetros.

A partir daí a empresa anunciante poderá entrar em contato com o influenciador e negociar, aparentemente sem intervenção e sem ter que pagar uma parte ao Facebook. O "aparentemente" é por conta que a nova ferramenta ainda está em testes e não foi nem lançada nem confirmada oficialmente, porém a etapa de testes, que está sendo feita com várias empresas selecionadas vazou para alguns sites de notícias de tecnologia como o Techcrunch.

A ideia é boa e atende uma demanda real dos anunciantes, mas como se diz de fazer um contrato com o diabo, ele se esconde nos detalhes. Vamos aguardar o lançamento para avaliar melhor.


segunda-feira, 21 de maio de 2018

Style Match da Google: Onde eu compro uma camisa azul igual aquela?

O desejo foi sempre a mesmo: você vê uma peça de roupa, calçado, bolsa ou acessório que acha interessante, fotografa com seu celular e ele acha para você uma loja onde comprar uma peça igual ou parecida.

Já há alguns anos várias empresas vem apresentando aplicativos que supostamente atendem esse desejo. Na prática, a qualidade dos resultados varia muito de aplicativo para aplicativo, depende da foto que você tirou (ângulo, ambiência, iluminação) e das imagens disponíveis nas lojas virtuais. Talvez por isso, até o momento nenhum desses aplicativos se destacou claramente como o melhor nessa missão e seja um óbvio líder de mercado.

Deixando de lado as questões da invasão da privacidade, porque você provavelmente vai fotografar um desconhecido/a (se fosse um conhecido/a seria mais fácil perguntar onde a pessoa comprou) e o fato de que talvez no seu corpitcho a camisa que fica bem naquela moça talvez não fique tão bem... vamos encarar neste post a questão só do ponto de vista técnico: é difícil para a inteligência artificial usada no reconhecimento de imagens reconstruir uma informação complexa a partir de poucos dados, usando só dicas de contexto.

No entanto um dos líderes do campo da inteligência artificial acaba entrar nessa briga pelo "busque-moda-por-imagem" perfeito. A Google acabou de lançar um recurso chamado "Style Match" que funciona em conjunto com o Google Lens (o aplicativo de reconhecimento de imagens via celular do sistema operacional Android). De quebra, além de buscar itens de moda o Style Match também serve para buscar itens de decoração. Além de copiar a camisa da moça você vai poder copiar o abajur bacana que viu na casa de sua amiga....

Agora o tempo dirá se o aplicativo da Google funcionará melhor que os outros que foram surgindo ao longos dos últimos anos. Ao seu favor a empresa tem muita experiência em pesquisa de imagens, uma quantidade de grana para investir quase incompreensível para nós humildes mortais e uma vantagem que nenhuma outra empresa que tentou esse mercado "busque-moda-por-imagem" tem: uma gigantesca massa de humanos usando os seus produtos, "ensinando" os seu algorítimos qual a melhor resposta em cada pesquisa.


quinta-feira, 17 de maio de 2018

Realidade Aumentada: provando tênis virtualmente

A empresa  Vyking está promovendo um aplicativo que permite visualizar um par de tênis no seu próprio pé. A ideia do aplicativo em desenvolvimento pela empresa é usar Realidade Aumentada - combinar imagens que você filma no seu celular com imagens geradas artificialmente - em anúncios de diversos segmentos, em particular moda.

Não dá pra saber se o tênis ficou apertado ou se está pegando naquele calo que você tem no dedinho, mas pode sem dúvida aumentar o desejo de comprar. Confira o vídeo post de um programador deles no Instagram demonstrando o produto abaixo.



Você pode saber mais no site da empresa:  https://www.vyking.io/



terça-feira, 8 de maio de 2018

A Internet e o sucesso da verba de marketing pequena


Antigamente, quando o maior canal de comunicação das empresas com o mercado era a grande mídia – canais de TV, emissoras de rádio, revistas – era complicado para as empresas pequenas e médias fazerem sua comunicação de marketing.  Se sua empresa era dez vezes menor que a Nike não dava para ela comprar um décimo de anúncio que a Nike comprava no Jornal Nacional ou um décimo da página na Vogue. Essas mídias não eram vendidas em pequenas frações. 

Geralmente, com um décimo da verba da grande empresa você não conseguia comprar anúncio nenhum. Havia formas alternativas de marketing para verbas pequenas - eventos, panfletagens, ações no ponto de venda -, mas era impossível alcançar-se grandes audiências com elas, não havia como quebrar o círculo vicioso: verba de marketing pequena – audiência pequena – vendas pequenas – verba de marketing pequena.

O crescimento e penetração da Internet em todos os público e a facilidade de criação e publicação de conteúdo nessa mídia veio subverter a lógica de que só empresa grande tem dinheiro para falar com grandes públicos. Com uma verba pequena, muito trabalho, muita criatividade e um pouco de sorte pode-se, às vezes, alcançar enormes audiências. Não é fácil nem garantido, mas há montes de histórias de pequenos sites que viraram grandes empresas. 

Ah, essa conversa toda quer dizer que com a verbinha que tenho é certeza que minha empresa vai ter sucesso na Internet? Não. Mas com a Internet pelo menos você tem a chance. E você só vai saber se tentar. Como comentário, para quem se entusiasmou para começar, se precisar de ajuda procure uma agência nativamente digital, que já nasceu e cresceu no admirável mundo novo da Internet , como a Vendere 😄. Além de lidar melhor com a própria Internet elas sabem se virar melhor com orçamentos de todos os tamanhos.



quarta-feira, 2 de maio de 2018

Facebook anuncia entrada no mercado de encontros (dating)

Procurando por um novo amor? Em breve os poderosos algorítimos de inteligência artificial do Facebook poderão ajudar... No 1º de maio, enquanto nós brazucas desfrutávamos o feriadão, nos EUA o Facebook iniciava a sua conferência anual para desenvolvedores (lá nos EUA o dia do trabalho - Labor Day - é celebrado na 1ª segunda-feira de setembro).

Na palestra de abertura do evento do Facebook, o "keynote speach", Mark Zuckerberg seu fundador e presidente anunciou que o Facebook vai entrar no mercado de dating (encontros/relacionamentos - amorosos/sexuais...). O recurso vai ser um competidor para sites e aplicativos como match.com, Tinder e OKCupid. Dada a dominância das redes sociais (e a grana) que o Facebook tem, as ações na Bolsa das empresas por trás desses aplicativos de encontros já caíram 22% no mesmo dia.

Zuckerberg não deu muitos detalhes do futuro produto, mas disse que o Facebook vai usar o conhecimento que tem dos interesses de cada pessoa para sugerir parceiros compatíveis. Um recurso anunciado é que será possível procurar por parceiros  fora da sua lista de amigos, por exemplo em grupos ou eventos que você queira participar ou vá se inscrever. O recurso permitirá às pessoas mutuamente interessadas trocarem mensagens fora do ambiente (e dos olhares curiosos) das páginas normais do Facebook e do Messenger.

Na nossa opinião, a principal vantagem do Facebook em relação aos sites e aplicativos de encontros tradicionais é que o perfil psicológico dos participantes, que vai ser usado para encontrar parceiros compatíveis, não foi gerado pelo participante voluntária e conscientemente respondendo a um questionário - onde a pessoa provavelmente vai mentir e/ou pelo menos "embelezar" a realidade. O perfil que o Facebook tem de cada pessoa foi gerado quando ela não estava prestando atenção, nem tentando enganar ninguém, simplesmente navegando, curtindo e compartilhando, durante os anos e anos que ela usa o Facebook.

O uso através de inteligência artificial dessas preciosas informações ajudou o Facebook a se tornar a maior rede social do mundo. Vamos ver se elas vão servir (e se o Facebook vai saber usá-las) de forma tão eficaz na difícil missão de encontrar parceiros amorosos para as pessoas.


segunda-feira, 23 de abril de 2018

Por que saber quais são os navegadores mais populares?

A competição dos navegadores de Internet (browsers) Chrome, Internet Explorer, Safari, Firefox e outros pelo mercado, pode atrapalhar o sucesso do seu marketing na Internet. Vamos tentar aqui destrinchar o problema.

O problema
O problema é que seu site que parece bem bonito quando você olha na tela do seu computador no seu escritório, pode parecer esquisito, feio ou até impossível de usar na tela do seu cliente, que por acaso tenha um navegador de marca ou versão diferente.

Isso pode acontecer porque páginas da Internet que você vê no seu navegador (como esse blog que você está lendo agora) não são enviadas a partir do seu site prontas para exibição na tela do cliente. As páginas são enviadas como um conjunto  de instruções codificadas: "mostre essa foto no canto esquerdo superior da tela" ou "escreva o texto bom dia  abaixo da foto", ou ainda "pinte todo fundo da tela do site de azul". O navegador recebe essas instruções, interpreta e monta a página para o freguês ver.

Grosseiramente comparando, a página Internet é uma receita de bolo que é enviada para um cozinheiro (o navegador) que vai executar a receita: misture a farinha e a manteiga, bata as claras em ponto de neve, acrescente o açúcar devagar.... Num mundo ideal, todos os bolos feitos a partir da mesma receita ficariam igualmente gostosos, mesmo que feitos por cozinheiros diferentes e todas as páginas Internet apareceriam iguais quando exibidas por navegadores diferentes. Mas nós não vivemos em um mundo ideal.
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Num mundo ideal, todas as páginas Internet apareceriam iguais quando exibidas por navegadores diferentes. Mas nós não vivemos em um mundo ideal.
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Claro que a linguagem das instruções para a montagem de uma página de Internet, chamada HTML - Hyper Text Markup Language - é mais técnica e rigorosa que a linguagem coloquial de uma receita de comida, mas mesmo assim cada fabricante de navegador faz a sua interpretação de como as instruções do HTML deveriam ser executadas, às vezes por opções técnicas , às vezes por opções comerciais .

Essas interpretações do HTML além de diferentes de um fabricante para outro, também mudam de uma versão do navegador do mesmo fabricante para a versão seguinte. Por exemplo, não só o Internet Explorer interpreta HTML diferentemente do Chrome, mas o Internet Explorer 9 interpreta diferentemente do Internet Explorer 7. A mesma página Internet pode parecer diferente em cada um deles. Além disso, as versões para celular desses mesmos navegadores também  costumam ter suas particularidades.

Para completar a lambança, o W3C - World Wide Web Consortium - organização que tem como função criar, desenvolver e divulgar o HTML, vai mudando o HTML ao longo do tempo, introduzindo alterações e melhorias, que os fabricantes de navegadores correm atrás de entender e interpretar. Por exemplo, última versão é a HTML 5, porém há partes dela que ainda estão em definição ou só foram parcialmente aceitas pelos diversos interessados envolvidos no assunto, o que inclui os fabricantes de navegadores.


Uma solução de compromisso
Infelizmente não há uma solução fácil, ótima ou única para esse problema. De maneira geral você vai ter que ficar em algum ponto entre ter um site bem simplinho - que só usa os recursos mais antigos ou corriqueiros do HTML - e daí roda bem em muitos lugares, ou ter um site bem sofisticado - que usa os recursos mais modernos e atraentes do HTML - mas corre o risco de não funcionar direito em algumas versões de alguns navegadores.

Também é possível se criar dentro da página HTML testes para saber-se qual o browser que a está interpretando e usar recursos diferentes em cada caso, mas isso aumenta a complexidade, custo e tempo de desenvolvimento do site.

Nessa hora pode ser importante saber quais navegadores tem mais penetração de mercado, ou até quais navegadores acessam mais o seu site em particular, para se escolher que recursos vale a pena manter ou tirar do site, por razões de compatibilidade com os navegadores que seu público-alvo usa ou ainda avaliar-se quanto a mais de tempo e dinheiro deve ser gasto no desenvolvimento do site para uma maior compatibilidade com diferentes navegadores. Uma boa agência digital pode ajudar.