sexta-feira, 24 de julho de 2020

5 sugestões de marketing para o pequeno escritório brasileiro da multinacional de tecnologia

Muitas multinacionais abrem um pequeno escritório no Brasil, para tatear o mercado ou começar uma operação que pode crescer. Há desafios de todos os tipos para quem trabalha no pequeno escritório local de uma multinacional de tecnologia.

Baseado na nossa experiência, vamos dar algumas sugestões de comunicação de marketing que acreditamos poder ajudar as lutadoras equipes de operações menores. Algumas podem lhe parecer óbvias e você estar cansado de fazer, mas algumas podem ter sido deixadas para trás na correria, verba curta, equipe pequena e pressão para chegar no número até o final do trimestre fiscal... Confira:

1) Please, give to me a hot dog
Geralmente quem trabalha na multinacional fala e lê inglês, está cercado de outros funcionários que também o fazem, conversa e troca e-mail com os gringos. Fechado dentro dessa bolha é natural achar que é assim em todo lugar.

Permita-me lembrar o real: muitos executivos e empresários brasileiros não tem um bom inglês. Tá, todo mundo consegue se virar na Disney, mas um vídeo técnico pode ser pouco entendido, ou pior, ser cansativo para quem está entendendo mais ou menos. Vai ser parado no meio.

O original daquele PDF que mostra como seu produto chegou na melhor posição do quadrante mágico do Gartner já é chato para quem lê bem em inglês e está atualizado com o jargão. Para o cliente que não tem a obrigação de lê-lo é intragável.

Então, nossa sugestão é traduzir, legendar e dublar para português, TUDO.

2) LATAM? Você está falando da companhia aérea?
Na administração de muitas empresas americanas nosso continente se divide em duas grandes entidades lógicas:  America, que são aquelas pessoas que moram pra cima do Rio Grande e falam inglês e  LATAM - aquelas pessoas que moram para baixo do Rio Grande e falam espanhol.

Atuando nessa simplificação da realidade muitas empresas americanas já produzem duas versões do seu marketing: a americana e a latino-americana. E tome site LATAM, rede social LATAM, white-paper traduzido para a LATAM, anúncios com versão LATAM e por aí vai. Tudo em espanhol, é claro.

Nossa sugestão é você não usar essa produção aqui e brigar para ter verba para site brasileiro, redes sociais brasileiras, eventos, materiais e campanhas brasileiras. Você sabe disso mas não custa relembrar: espanhol  numa situação e assunto profissionais ou técnicos é difícil e cansativo para um brasileiro.

Além disso, o cliente pode se incomodar ao perceber que você está tentando cortar caminho ou economizar com ele, ao direcioná-lo para o site ou material "latino".

3) Você não encarou ler Sagarana inteiro mas passou no vestibular da USP?
Para a maioria dos escritórios brasileiros de multinacionais o problema não é a falta de material de marketing original. Grosso modo, os departamentos de marketing da matriz de multinacionais de tecnologia costumam sofrer mais de hiperatividade do que sonolência.

Mas essa densa enxurrada de conteúdo pode ser muito para o cliente médio. Então cabe ao marketing local digerir a complexidade, versar os acrônimos e neologismos, condensar o detalhe e resumir o todo.

Lembra-se do cursinho pré-vestibular, quando aquelas fichas-resumo de livros lhe salvaram da lista de leitura obrigatória da Fuvest? Nossa sugestão é você transportar essa boa ideia para o marketing. Claro, você sempre põe um link para o conteúdo completo, mas cria uma versão-resumo ou melhor ainda versões, em 2 ou 3 graus de profundidade e abrangência.

De quebra, você já criou para a equipe de vendas brasileira o elevator speach (o "papo de elevador") de 50 ou 100 palavras para eles usarem sobre aquele assunto.

4) Fome de vídeo
As estatísticas variam um pouco de um instituto de pesquisa para outro, mas estima-se que o consumo médio de vídeo na Internet por pessoa já tenha passado de uma hora por dia e caminhe para 84 minutos por dia, por pessoa, até 2022.

Você pode aproveitar esse apetite do público por conteúdo em vídeo e, além de legendar os vídeos vindos de fora, também produzir aqui no Brasil. Nossa sugestão é você gravar vídeos curtos de pessoas do escritório local falando para a câmera - estilo "Youtuber". É um formato testado e aprovado pelo público e com ótimo custo: o "ator" ou "atriz" já está pago e para gravar só uma pessoa parada falando o equipamento é simples.

Só tem que ter cuidado com a falta de carisma de algumas pessoas (tem gente que "não funciona" bem na frente da câmera) e com o roteiro, que precisa vender o peixe de forma leve e agradável.

Como benefícios extra, esses vídeos humanizam a empresa para os clientes e facilitam conversas posteriores em visitas pessoais ou contatos via Teams ou Zoom - o cliente que viu os vídeos sente que "já conhece" aquelas pessoas.

5) Vamos fazer um bem bolado
Alguns dos prezados leitores já podem ter percebido uma conexão entre os itens anteriores: se funciona traduzir tudo para português, fazer resumos do material e gravar vídeos curtos com executivos locais, é quase uma consequência natural a nossa próxima sugestão: usar os resumos como um dos tipos de conteúdo para os executivos locais falarem nos vídeos.

Então quando sair um novo produto, estratégia ou visão, ou ainda qualquer pacote de informação um pouco maior ou mais complexo, você pode publicar aqui o original traduzido para o português, alguns resumos escritos (com diferentes abordagens ou profundidades) e vídeos de pessoas do escritório local explicando, usando os resumos como roteiro.

Só precisa se lembrar, além dos cuidados que já citamos no item sobre vídeos, que a linguagem falada natural é diferente da escrita, então para o resumo em vídeo não ficar com um jeito muito artificial de "Jornal Nacional" é preciso fazer alguma adaptação entre o resumo publicado e o roteiro de fala.

6O som do silêncio  sugestão bônus -
Algumas redes sociais - entre elas Linkedin e Instagram - na configuração normal começam todos os vídeos no modo "mudo", sem som. Além disso, às vezes as pessoas estão em situações onde elas não podem ligar o som, para não incomodar outras pessoas em volta. Por isso, há estudos que mostram que pelo menos 50% dos vídeos assistidos em redes sociais são sem o som.

Para enfrentar mais essa dificuldade de levar sua mensagem para o mercado, nossa sugestão é você legendar todos os vídeos, incluindo aí os dublados e aqueles que você vai produzir aqui, falados originalmente em português. Já que você vai ter que desenvolver fornecedores para legendagem dos vídeos em inglês, fazer um pacote para legendar também os em português pode não ficar muito caro.

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quarta-feira, 8 de julho de 2020

3 tipos de conteúdo que sua empresa tem que criar

A publicação regular de conteúdo no seu site, blog e redes sociais pode atrair, convencer e fidelizar clientes, mas o que publicar? Há tipos principais de conteúdo onde focar a criação?

O funil de vendas como guia da criação de conteúdo
Independentemente do produto ou serviço que você venda, os potenciais compradores podem ser divididos logicamente em 3 grandes grupos: 1) os que não estão considerando comprar de você; 2) os que sim estão considerando você como um dos competidores para aquele pedido; e 3) os que já acham você o melhor negócio (ou pelo menos um dos melhores) mas precisam de um último empurrãozinho para fechar.

Tecnicamente são chamados por nós marqueteiros de clientes no topo do funil de vendas, meio do funil e fundo do funil.

Essa maneira de visualizar o mercado fornece, na nossa opinião, um modelo para orientar seu plano de comunicação. Você tem que dividir seu conteúdo em pelo menos 3 grupos, para cada um desses públicos.

Ao longo desse post vamos tentar resistir à tentação de chamar esses grupos de tofu, mefu e fufu... marketing é coisa séria 😃.

Conteúdo para o topo do funil
No topo estão aqueles clientes que ou não sabem que vocês existe, não sabem que você vende o que eles querem ou sabem, mas por algum motivo não estão considerando sua empresa como um possível fornecedor.

Para esse público você precisa lançar "anzóis" - conteúdos que os atraiam para entrar no seu funil - mas sem tentar vender nada explicitamente, porque se for muito cedo para isso pode incomodar.

É uma etapa de estabelecer um relacionamento. Mostrar que você existe, que vende o que o cliente precisa e que é bom nisso. Os melhores conteúdos são conteúdos que presenteiem seu possível cliente, você ajuda sem pedir nada em troca: tutoriais, aulas, listas de dicas e truques sobre o assunto e o mercado onde você atua. Também vale conteúdo no limiar do puro entretenimento, só para atrair a atenção e agradar.

Parte deste conteúdo pode ser de acesso totalmente aberto e parte pode ser fechada, pedir o contato da pessoa: "deixe seu e-mail para fazer o download de nosso e-book", ou "entre com seu usuário no Google ou no Facebook", para facilitar futuros contatos.

Conteúdo para o meio do funil
Depois que o potencial cliente sabe que você existe e vende o que ele está querendo comprar, chega a hora de mostrar para ele que seu produto ou serviço e seu papel como fornecedor são os melhores.

Nessa etapa os melhores conteúdos são descritivos em detalhe de produtos ou serviços, características técnicas e vídeos de como utilizar. Também é a hora de mostrar casos de sucesso e depoimentos de clientes, bem como comparativos com concorrentes, feitos por você, pela mídia ou por terceiros com credibilidade.

Conteúdo para o fundo do funil
É a hora do conteúdo que ajuda a venda se concretizar, mudar de interesse para pedido. Esses conteúdos precisam atingir o cliente que já sabe que seu produto e você como fornecedor são bons, mas está procrastinando, adiando, exitando. Geralmente, quanto maior for o valor de uma compra para um cliente, ou mais impactante na sua vida, mais natural é o cliente demorar para se decidir.

Ajuda o cliente conteúdo sobre financiamento e condições de pagamento, sobre possibilidade de desistência, devolução ou rompimento de contrato, sobre facilidade de entrega/transporte e instalação. Também conteúdo sobre durabilidade, garantia, assistência técnica e valor de revenda (se for o caso) são exemplos que contribuem para diminuir inseguranças e hesitações na hora de fechar.

Até aqui, todos os conteúdos que citamos - para o topo, meio ou fundo - foram genéricos, podem ser criados e disponibilizados para todos os clientes naquela fase da venda. Porém no caso particular dos clientes no fundo do funil, conteúdos personalizados podem ajudar.

Dependendo do tamanho do negócio, nessa etapa vale a pena criar conteúdo específico para aquela negociação, como um guia de instalação específico para aquele cliente, ou um caso de sucesso no ramo de atividade dele. Nessa hora um bom relacionamento com vendas pode ajudar e direcionar a produção de conteúdo. O vendedor pode saber o que aquele determinado cliente precisa para se decidir e marketing pode produzir esse conteúdo específico.

Porque ter 3 vezes mais trabalho
Essa preocupação com criar regularmente e balanceadamente conteúdo de marketing, para os 3 principais grupos no funil de vendas, visa evitar que a produção de conteúdo se concentre demais em um ou outro, interrompendo (ou nem começando)  a chamada "jornada de compra": o tortuoso caminho entre o freguês nem saber que você existe até o pedidão.

Se você concentra muito conteúdo no topo - por exemplo entretenimento e educação nas redes sociais - você atrai um monte de gente nova. Porém, gente que sem outros incentivos pode desistir, desanimar ou ir prestar atenção em outra coisa no meio do caminho.

Se você concentra muito conteúdo no meio do funil - por exemplo só posta as maravilhas do seu produto ou serviço - sem se preocupar igualmente com trazer um fluxo permanente de gente nova, corre o risco de só pregar para os já convertidos. Ou pior, para a parede do templo.

E por último, mas não menos importante, a humanidade caminha com preguiça e sem vontade. Se você não empurrar - se não tiver conteúdo e estratégias para o fundo do funil - a venda não anda. Ou anda na direção do seu concorrente que está empurrando mais firme que você.

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