terça-feira, 5 de maio de 2020

3 boas notícias (digitais) em meio à pandemia

Como acontece uma diminuição da sensibilidade das pessoas para as mesmas más notícias repetidas todos os dias, para manter a atenção do público a grande mídia parece estar em um campeonato de quem encontra a maior fonte de desesperança, ou a imagem mais chocante.

Nessa competição macabra por audiência, muitas vezes é dado pouco destaque às coisas boas que também tem acontecido no Brasil. Gostaríamos de destacar algumas, vindas do mundo digital, assunto deste blog:

1) A infra-estrutura da Internet brasileira aguentou
Milhões de estudantes, do fundamental à pós-graduação assistindo aulas remotamente, milhões de outros brasileiros tralhando em casa - o home office - e mais outros milhões se entretendo em serviços de streaming como o Netflix ou Spotify, para minimizar o tédio da quarentena. Simultaneamente. Se você dissesse em janeiro desse ano que isso iria acontecer, muitos profissionais de T.I. e telecom previriam lentidões e travamentos

No entanto, para a nossa agradável surpresa esse gigantesco aumento da carga sobre as linhas de comunicação da Internet brasileira aconteceu sem sustos ou solavancos.

2) O home-office está funcionando
A migração para o trabalho remoto está sendo um aprendizado para todos - empresários e trabalhadores - e algumas arestas ainda estão sendo aparadas. No entanto, no que diz respeito à produtividade, embora não tenhamos uma estatística formal, temos ouvido de muitos empresários e executivos que conversamos nessa quarentena que a transição para trabalho em casa tem sido relativamente fácil e o desempenho do pessoal no home office tem sido satisfatório.

Em alguns casos - por exemplo alguns departamentos de desenvolvimento de software - temos notícias de que a produtividade até aumentou em relação ao que acontecia no escritório. E do lado dos empregados, mesmo sentindo falta do convívio social com os colegas, muitos já estão experimentando diariamente as óbvias vantagens de descartar a viagem de ida e volta, especialmente complicada nas metrópoles.

A coisa está indo tão bem que acreditamos que algumas empresas decidam manter parte de suas atividades em home-office quando a pandemia acabar ou diminuir, porque o desempenho tem sido bom, o custo é menor e melhora a qualidade de vida de muitos empregados.

3) O ensino remoto está funcionando (pelo menos em parte)
Primeiro vamos à parte problemática: se prezado leitor está em home-office e é pai de criança no ensino fundamental, pode estar muito incomodado com a mudança forçada para ensino remoto e "homeschooling". As crianças menores não conseguem estudar sozinhas no computador, então os pais tem que atuar como professores. Além do ensino, também precisam substituir os serviços de babá e entretenimento que a escola provia. E some-se que alguns aspectos do ensino fundamental, como a alfabetização, exigem uma especialização profissional que os pais não tem. Esse acumulado de dificuldades compõe uma parte do ensino remoto ainda mal resolvida.

Agora, a parte positiva: no ensino médio, cursos pré-vestibulares e faculdades a situação é melhor, há histórias de sucesso  na transição para o ensino remoto. Muitos professores conseguiram se adaptar bem às novas ferramentas digitais e do outro lado da linha, os alunos - adolescente e jovens adultos, sabem e gostam de se comunicar pela Internet. Testemunhamos vários relatos sobre aulas por teleconferência que tiveram uma avaliação tão boa quanto, ou até mesmo melhor, que as presenciais.

Além disso, aulas ao vivo por teleconferência tem sido gravadas para uso posterior e também sido complementadas por aulas pré-produzidas em vídeo. Uma vídeo-aula pode ter mais recursos que uma aula ao vivo, como um filme pode ter mais recursos que uma peça de teatro. E um vídeo pode ser assistido em horários diferentes de acordo com a disponibilidade do aluno ou assistido várias vezes, para assuntos mais difíceis.

A viabilidade e algumas vantagens do ensino de adolescentes um pouco mais velhos, jovens adultos e adultos pela Internet estão ficando mais claras à medida que as escolas vão descobrindo e desenvolvendo técnicas e ferramentas. Acreditamos que quando a pandemia diminuir ou acabar muitas escolas, alunos e pais vão considerar não voltar ao ensino tradicional em sala de aula, pelo menos não totalmente.

Um comentário final importante
Não queremos neste post minimizar o impacto em vidas humanas e sofrimento das famílias, nem as perdas econômicas trazidas pela pandemia. Também não queremos negar que a luz no fim do túnel ainda não está tão visível quanto gostaríamos, para o Brasil e para o mundo. Apenas queremos destacar que alguns aspectos da transformação digital forçada e apressada que tivemos que fazer estão se mostrando melhores que a expectativa e podem até deixar um legado positivo para o pós-pandemia.