segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Tchau Adobe Flash. Foi bom enquanto durou.

Durante muitos anos o Flash, da Adobe, foi a tecnologia líder no desenvolvimento de sites com animação,  movimento e efeitos visuais. O Flash player que permitia o computador acessar um site desenvolvido com essa tecnologia chegou a estar instalado em cerca de 98% de todos os computadores de mesa e notebooks. 

O Flash também sempre foi especialmente bom pra lidar com multimídia - som e vídeo – inclusive foi a tecnologia padrão do YouTube para exibir seus vídeos, por muitos anos.

A poderosa Apple
Os problemas começaram em 2010, quando Steve Jobs publicou sua famosa carta aberta "Toughts on Flash" ("Reflexões sobre o Flash", numa tradução livre) [1]. Nela o presidente da Apple anunciou que o iPhone, o iPad e o iPod nunca rodariam o Flash. Apresentou vários motivos, entre eles que o Flash consumiria muita bateria, que sua segurança não seria boa e que suas interfaces seriam mais adequadas para o uso de mouse do que dos dedos. 

Como razão principal colocou que a Apple não quer  deixar terceiros controlar as camadas de software mais básicas em seus produtos de hardware, para assim poder garantir seu bom funcionamento.

Esse posicionamento de Jobs além de bloquear diretamente o acesso do Flash à imensa parcela do mercado de dispositivos móveis dominada pela Apple (cerca de metade dos smartphones nos EUA é iPhone), também indiretamente lançou dúvidas quanto à confiabilidade e segurança do produto para outros fabricantes de acesso móvel à Internet.

A força das tecnologias abertas (open source)
Muito prejudicado no mercado de celulares e tablets o Flash ainda continuou firme por alguns anos no mercado de computadores. Porém, começou a perder também esse mercado para várias novas tecnologias, como HTML5 e bibliotecas em Javascript que permitem construir sites com recursos similares aos que o Flash oferecia, mas com a vantagem de serem tecnologias abertas, públicas e não propriedade de uma única empresa.

Acossada em todas as frentes, a Adobe jogou a toalha em 2017. Anunciou em julho daquele ano que iria parar de vender ou dar suporte para o Flash em 31/12/2020. O anúncio com 3 anos de antecedência permitiria aos donos de sites e outros envolvidos no assunto se adaptarem.  [2]

Respondendo a essa posição da Adobe os browsers (navegadores) mais usados Internet Explorer [3], Chrome [4] e Firefox [5] anunciaram que também até 2020 iriam gradualmente deixando de aceitar o Flash. Coloquei abaixo links para os comunicados dos fabricantes dos navegadores (em inglês).

Fique atento se seu site é antigo
Se você ainda tem um site parcial ou totalmente feito em Flash, a solução é refazer o pedaço, ou o todo do site se for o caso, com outras tecnologias, antes do final de 2020. Se não, seu site (inteiro ou o pedaço feito em Flash) vai parar de funcionar nos navegadores mais comuns do mercado. 

Um comentário final
Numa nota mais pessoal, esse que vos escreve e a Vendere desenvolveram alguns sites bem legais usando o Flash. Era uma tecnologia muito poderosa e versátil. Com a chegada do seu fim não podemos deixar de confessar um certo pesar na hora de dizer tchau Flash. Foi bom enquanto durou.

Fontes:

[1] "Thoughts On Flash" (conforme reproduzido na revista PC World em inglês) - https://www.pcworld.com/article/195236/Steve_Jobs_Shares_His_Thoughts_On_Flash.html

 [2] Comunicado da Adobe - anunciando o fim do Flash - https://www.adobe.com/pt/products/flashplayer/end-of-life.html

[3] Comunicado da Microsoft sobre o fim do Flash nos browsers da Microsoft https://blogs.windows.com/msedgedev/2017/07/25/flash-on-windows-timeline/

[4] Comunicado da Google sobre o fim do Flash no browser Chrome   https://www.blog.google/products/chrome/saying-goodbye-flash-chrome/

[5] Comunicado da Mozzila sobre o fim do Flash no browser Firefox   https://blog.mozilla.org/futurereleases/2017/07/25/firefox-roadmap-flash-end-life/